Co-criando novos espaços de diálogos

CNV

Eu acredito profundamente que todos temos talentos e que devemos sempre usá-los para o nosso bem e o bem de nossos relacionamentos. Foi pensando nisso que dei como “homework” para meus alunos que eles refletissem e trouxessem para dentro da sala quais são seus talentos. Um deles com a sabedoria e a pureza de uma criança de 10 anos questionou qual era o meu talento. Eu não precisei pensar muito para responder que era o dom da comunicação. Pelo menos foi o que eu sempre acreditei.

Mas quando nos últimos meses eu me descobri gerando mais desconexões do que conexões eu senti como se estivesse falhando nesse meu propósito. E senti que estava me afogando em meio à tantas teorias e palavras bonitas não praticadas. E eu acho que talvez tenha sido isso que uma colega notou quando me chamou para tomar um café, conversamos “amenidades” e ao final ela contou, da maneira mais sútil possível, sobre o curso de comunicação não-violenta (CNV) que aconteceria nesse final de semana. Eu que já fiz vários cursos e práticas de CNV, e que inclusive tenho o livro empoeirando na estante há anos, achei que diante de tanta desconexão talvez fosse um bom momento para retomar os estudos e as práticas da CNV.

E a CNV é tão simples e ao mesmo tão desafiadora, resumindo de maneira quase leiga são 4 “pequenos” passos a serem dados:

– observação realista dos fatos (ou do conflito em si) sem julgamentos;

– acessar o que isso te faz sentir e se permitir sentir tal coisa;

– descobrir qual é a sua necessidades e a partir daí desenvolver “estratégias” para atendê-las;

– fazer um pedido (e não exigência) para o outro, da maneira mais pontual possível;

E nesse exercício eu entendi que o talento de que tanto me orgulhava estava sendo qualquer coisa menos a comunicação per se, porque muitas vezes nós fazemos muitas exigências no lugar de pedidos, comunicamos sem enxergar o outro, sem saber nem as nossas necessidades e muito menos as deles e não conseguimos praticar a tão falada escuta ativa. É tanta coisa envolvida nesse processo que não consigo descrever aqui e vou apenas deixar o convite à reflexão para quem estiver lendo. Aliás eu acredito muito nos princípios da Gestalt Terapia onde a informação (verdade) só pode ser tolerada (e absorvida) quando descoberta por conta própria.

Lembrei de todos os conflitos que travei, os laços desfeitos, todas as discussões e desconexões. Lembrei de como eu sempre soube da CNV, entendi mais uma vez que conhecer e não fazer não é saber. Entendi que eu que sempre quis construir pontes, acabei por construir muitos muros. Não sei exatamente o que eu posso retomar de tudo isso, como co-criar novos canais de diálogos, talvez alguns laços ainda possam ser refeitos ou talvez eles tenham sido desfeitos também para eu aprender algo e ao olhar para trás entender que o caminho que quero tomar agora é diferente, comunicar é criar sentido com o outro, simples e complexo.

Eu me propus a dar um passo atrás (ou vários) e fazer uma análise mais esmiuçada de meus sentimentos no intuito de identificar todas as minhas necessidades e dessa maneira tentar enriquecer a qualidade de meus relacionamentos inter-pessoais e intra-pessoal. Para finalizar, quero expressar que dentre tantas coisas lindas que acessei, finalmente acho que entendi que o silêncio também é parte do diálogo.