Feminismo: o mais precioso legado que minha mãe me deixou

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Minha mãe sempre foi uma mulher à frente de seu tempo, ela não contentou-se apenas com o papel de mulher e mãe que a vida lhe deu, ela quis mais, sempre mais. Minha mãe tem uma beleza de causar inveja, além da beleza, ela teve coragem e teimosia, e ousou tanto que tornava quase insuportavelmente pequena a vida daqueles que a cercavam. Ela tem uma elegância que nunca passou despercebida, e uma audácia instigante que tornou grandiosa qualquer uma de suas empreitadas. Ela é mulher pioneira, esposa, mãe, amante, errante, empresária, socialite, fazendeira, livre.

Sob os olhares de reprovação e o julgamento dos acomodados que temiam ousar, minha mãe fez o que quis, quando quis, da forma como queria. Transformou e fez do seu jeito o papel de esposa, de mãe, quis mais que isso, a rua, o mundo. E foi bem sucedida em tudo que buscou. E mesmo assim ela é feminina, vaidosa, bela, foi miss e rainha. Levei anos para aprender a admirá-la, respeitar suas escolhas e seu destino, para entender quão grandiosa foi sua rebeldia e seu legado. Mesmo na doença, ela me ensina todos os dias. Minha mãe não é mulher feita para quem pensa pequeno. Ela reinventou a roda e surpreendeu a todos, no amor e na dor.

Dentre tantas lições que ficaram, só recentemente consegui assimilar a maior delas, ela foi a mulher mais feminista que já conheci e me ensinou que como mulher posso ser quem eu quiser, que posso fazer o que quiser, que não preciso me contentar com o papel que a sociedade insiste em entregar às mulheres, que para ser mulher não preciso viver pedindo aprovação nem “andar na linha”.

Posso ser tudo, bela, feia, recatada, mal criada, posso me reinventar todos os dias. Mesmo com o relacionamento conturbado que tivemos de mãe e filha, pois talvez eu tenha sido um de seus mais árduos juízes, hoje posso dizer, de mulher para mulher: obrigada mãe, você me ensinou a ser mais mulher, mais forte, corajosa, autêntica e livre. Você é grandiosa, em tudo que me deu. Você me ensinou que a liberdade de ser quem se é, é o legado mais precioso que uma mãe pode deixar para uma filha.

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