Sou eu tentando me equilibrar

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Época de Natal é certamente nostálgica, hoje revirando fotos antigas na casa da minha irmã, pensei nos meus pais, pensei nos meus avós, tanto meu avô quanto meu pai nos deixaram no mesmo ano. Desde então o Natal tem sido muito sobre aprender a ficar mais confortável nessa nova configuração familiar. Desde que meu pai faleceu, venho caminhando pela vida como estrangeira, pois viver já não me é tão familiar. E assim vivo tentando me equilibrar.

Perder alguém que amamos pode deixar sequelas incorrigíveis em nosso caminhar. Eu choro porque sinto saudades; choro quando estou feliz porque a sensação de seguir em frente por vezes parece quase uma traição; choro porque ser feliz, eu sei, é o maior desejo que um pai pode ter para os filhos, mas ele não está aqui para me ver triunfar. A sombra da morte traz certezas dilacerantes e ao mesmo tempo libertadoras: que a vida é um sopro, que o tempo é precioso, que a gente não sabe mesmo o dia de amanhã, que viver é agora. Que a felicidade por vezes pode ser aterrorizadora e o equilibro é uma utopia necessária.

E quando estou feliz, sou eu tentando me equilibrar; quando falo demais, quando me calo, estou sempre tentando. Quando a saudade dói, quando rio, quando choro alto, sou eu tentando me equilibrar. E quando me desequilibro, sou eu fazendo um baita esforço, torcendo para que ninguém repare, nesse meu caminhar torto em que tento me equilibrar.

Viver é uma corda bamba na qual vale a pena (tentar) se equilibrar.

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