A vida ensina!

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Minha mãe não era de proferir ensinamentos e ditados como meu pai fazia, mas ela sempre repetia “a vida ensina”. Desde cedo eu lia muito, quando jovem possuía grandes e belas ideologias, queria e ainda quero um mundo melhor. Aos 18 anos lia pensadores densos como Marx e Hegel, prestei Filosofia na UFPR, era fã incondicional de Chico Buarque, na parede do meu quarto pendurei um pôster com a foto do Che que a tia de uma amiga trouxe para mim diretamente de Cuba, tamanha era minha paixão por sua luta. Fui presidente do Centro Acadêmico na Faculdade de Turismo na PUC e como presidente também fazia parte do DCE (Diretório Central de Estudantes) e participei de muitas votações e reuniões, na época sentamos com o reitor para debater contra o aumento das mensalidades. Ganhamos a causa.

Por tudo isso eu era uma jovem muito efusiva nas minhas crenças e ideologias, e na verdade acho que o papel do jovem é esse mesmo, trazer essa sede de mudança que encontramos nas grandes utopias. Enquanto jovem, tinha convicção das minhas lutas, me sentia politizada e achava que sabia tudo. Pensava que com a ajuda dos livros havia encontrado respostas para muitas das minhas perguntas. Dai veio a vida. Veio a vida e mudou todas as respostas e, junto com elas, as regras do “jogo”. Hoje entendo muito bem o que minha mãe queria dizer quando repetia continuamente como se fosse uma espécie de “punição” contra meus posicionamentos: a vida ensina.

Sim, ela ensina. O tempo e os anos de vida nos trazem uma sabedoria que não se encontra nos livros. Nenhum conhecimento é maior do que o conhecimento de causa daquilo que aprendemos “na pele”. É isso que faz uma pessoa de certa idade sábia, independente de letramento. E é essa sabedoria que me interessa. Hoje eu não troco ela pelo que acreditava saber quando tinha vinte e poucos anos.

A vida me colocou em contato com o socialismo da realidade e não dos livros. Passei quatro meses em trabalho voluntário em um Kibbutz em Israel e descobri que o socialismo na prática não funciona. Daí veio o que considero a sabedoria da vida, aprendi a pegar o que acredito e me serve da prática dele e deixar de lado o que existe nos livros. Os jovens dos Kibbutz em Israel também entenderam isso e criaram os “Moshav”, que é uma versão bem melhorada do sistema do Kibbutz. Depois fui levando esse mesmo “molde” de aprendizado para muitas outras ideologias. Um dia me desfiz do quadro do Che. 

A vida também me ensinou sobre hipocrisia, porque ela mesma se encarregou de me transformar em hipócrita. Muito do que você acredita e quer para o mundo cai por terra quando você é confrontado com situações bem controversas. 

A vida ensina. E, apesar de ainda ser jovem, já aprendi muita coisa. Aprendi com a vida sobre prudência, e a medir a altura do tombo; sobre a importância de cercar-me de boas companhias; sobre escolher de quais abismos devo me atirar e quais batalhas valem a pena travar; que ser feliz muitas vezes é melhor do que estar certo. Aprendi que meu corpo é sagrado e por isso não vou usá-lo para declarar “guerra” contra sistema algum, quero me preservar, quero tratá-lo com cuidado e gentileza. Autopreservação é de fato algo muito importante, por isso quero me proteger de pessoas e ambientes que considero hostis.

Aprendi que não tenho controle algum sobre como o outro vai me enxergar ou me receber, cada um me enxerga da maneira que quiser e não como eu acho que ele tem que me enxergar. Aliás, ninguém “tem que” nada. O que posso é escolher o que aceitar e o que deixar ir. A vida também me ensinou que muitos conflitos surgem da expectativa que tenho sobre o outro e que não é atendida. Então aprendi a esperar e cobrar menos dos outros. Aprendi sobre a importância que meus pais exercem em minha vida e a honrá-los com todo meu coração, independente das divergências e de como eles me criaram, porque a vida sem eles é muito mais dura.

Aprendi que na prática a teoria é outra; aprendi a gostar e entender de clichês, e sobre a importância de respeitar essa sabedoria de vida que só quem viveu tem. Portanto é importante respeitar os mais velhos pelo simples fato de que eles viveram mais do que eu, não importa a diferença de idade. Aprendi a tomar cuidado com radicalismos e aprender a duvidar de minhas convicções, as convicções podem nos tornar burros. Aprendi muito sobre levar as coisas menos a sério e a deixar para lá.

E essa é a grande sabedoria da vida: os aprendizados que vamos colecionando pelo caminho que são trazidos pelos anos vividos, na maioria das vezes a duras penas; o “conhecimento de causa” que vamos incorporando aos nossos discursos; essas marcas e cicatrizes na pele e no coração que não nos deixam esquecer importantes lições; os ensinamentos que nos convidam a ressignificar nossas ideologias, a rever conceitos, a mudar de opinião. Essa sabedoria talvez te faça parecer prepotente ou arrogante ao olhar de algumas pessoas, mas a vida também ensina a ficar em paz com os conflitos.

Fecho esse (longo) texto com as palavras de um sábio escritor que aprendeu muito com a vida, Eduardo Galeano:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

A morte é o assunto mais importante da vida

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Friedrich Nietzsche

Quando meu pai me contou que havia sido diagnosticado com câncer, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: “fodeu!”(perdoem a palavra, não encontrei sinônimos à sua altura). Em seguida fui tomada por um sentimento, que até então não conhecia, uma tolice extrema que me trouxe muita frustração. Como nunca havia pensado que meu pai morreria um dia?

Não me considero uma pessoa super inteligente, mas achava que já conhecia todas as minhas “burrices”, geralmente as confrontava nos cálculos complexos das aulas de Matemática ou de Física. Eu nunca fui boa em calcular nada. Mas essas eram burrices que eu já sabia identificar e estava acostumava a lidar, essa frustração já me era familiar. Mas, se sou “burra” para matemática, emocionalmente me sentia um pouco mais inteligente, por isso, quando soube do diagnóstico do meu pai fui acometida por um sentimento de burrice emocional que não me era familiar e confesso que foi muito difícil lidar com toda essa frustração.

A doença do meu pai me trouxe uma sensação de analfabetismo emocional profundo, me senti tola, arrogante, entrei em contato com a imensa desconexão que existia em mim de processos tão naturais e importantes da vida, como a morte. Sim, já havia perdido avós e tios, a morte todos nós sabemos o que é, mas atualmente ela foi tão banalizada que provocou desconexão. Então, mesmo conhecendo a morte, considero que andava pela vida totalmente desatenta do fato de que a vida é de fato finita, de que somos tão insignificantes diante da morte, percebi que entendia muito pouco sobre perspectiva.

Claro que em se tratando do meu pai, algumas coisas contribuíram para tamanha desconexão, ele era um cara que falava de bem estar o tempo todo e fazia tudo conforme o protocolo. Meu pai era um “bon vivant” no melhor sentido da palavra e levava sua saúde e bem estar à sério. O diagnóstico dele contrariou todas as recomendações médicas para longevidade. Antes disso eu nunca tinha visto meu pai ficar doente ou tomar algum tipo de remédio.

Depois do dia em que ele mencionou as palavras “câncer” e “raro”, passei dias à fio dormindo e acordando com esse sentimento tão frustrante que resolvi chamar pelo nome: burrice. Uma ingenuidade muito diferente da inocência bonita que possuem as crianças, uma tolice aguda. Com o tempo fui absorvendo e aprendendo a lidar com essa frustração, comecei a buscar as raízes dessa desconexão e foi então que descobri que não estava sozinha.

O fato de saber que não estava sozinha em meu analfabetismo não me trouxe algum tipo de consolo, muito pelo contrário, contribuiu para que eu me sentisse ainda pior. Eu já sabia que a burrice isolada (no caso em mim) seria muito mais fácil de tratar, o maior problema da humanidade está nas burrices generalizadas.

Enquanto passei a ficar mais atenta entendi que a situação era mais grave do que eu pensava. De alguma maneira a medicina, a ciência e também as religiões se encarregaram de nos afastar de processos tão essenciais como a morte e isso é muito perigoso. Eu já havia entrado em contato com isso olhando para o nascimento, na maneira fria como os partos atualmente são conduzidos, mas curiosamente nunca tinha pensado o mesmo sobre a morte.

Foi no Zen Budismo que encontrei algum tipo de consolo para essa minha “solidão”, o tempo da prática de Zazen se inicia e encerra com uma batida seca na madeira e uma voz dura que nos alerta: “O assunto mais importante da vida é a morte”. As práticas de Zazen (40 minutos de meditação sentada) me trouxeram mais serenidade e sabedoria para enfrentar a morte do meu pai e posteriormente do meu avô.

Hoje tenho feridas e mágoas muito profundas sobre a maneira como o tratamento do meu pai foi conduzido, para com a forma como a medicina se aproximou das máquinas e se afastou do ser humano. A morte é o assunto mais importante da vida e, no entanto, nos falta bom senso e coragem para falar sobre ela.

Conforme o tempo passava e a doença ganhava força, eu ficava mais incrédula com a maneira como a possibilidade tão real da morte (não) era abordada. Testemunhei incrédula e me sentindo impotente verdadeiras “atrocidades” durante o processo todo em que estive em contato direto com os profissionais da saúde. Ninguém falava de morte. E se os profissionais da saúde não sabem falar de morte, quem saberia? Me dei conta de que existe uma profunda desconexão nesse tema, muita hipocrisia e um grande despreparo para lidar com algo tão importante como a morte.

Um olhar mais atento e descobri que os médicos e enfermeiros não estão sozinhos, acho que os religiosos lideram o topo da pirâmide. Talvez seja por isso que tenhamos nos desconectado ao longo dos séculos. As religiões ocidentais, muito diferentemente das orientais, separaram a morte da vida, nos levando à um apego excessivo para com a vida. A morte virou tabu. As pessoas nas Igrejas rezam pela cura, todo mundo fala em milagre e cura, ninguém menciona a morte.

O que sei hoje é que “Deus está com você” não consola ninguém na hora da morte e “Deus vai te curar!” menos ainda. Então por favor não me peçam para colocar minha vida nas mãos de ninguém, nem de Deus. Quase dois meses de hospital e os padres e freiras visitavam todos os dias, todos prometiam a cura através da vontade de Deus, ninguém falou em morte. E eu ficava cada vez mais sem esperança na humanidade diante de tudo que estava vivendo. “A morte é o assunto mais importante da vida!”. E não existe verdade ao falar sobre ela.

Eu sei, é certo, ninguém quer morrer, nosso DNA é programado para lutar pela vida, nenhum ser vivo deseja morrer. Não é natural aceitar a morte de maneira passiva. Ninguém deseja morrer. Nem uma célula de câncer deseja morrer. Nem quem acredita no paraíso quer morrer para chegar nele. E qualquer pessoa, independente de credo ou religião, sofre ao perder alguém que ama. Isso é certo. Mas, mais certo que isso, é o fato de que ninguém sobrevive à morte. A morte é sagrada. O assunto da morte precisa ser abordado, com cuidado e respeito.

Mas, parece que esquecemos da morte. E fazemos questão de esquecer que, independente de como, a morte chega para todos. Ninguém deveria desejar viver eternamente. A finitude da vida é de fato a sua maior invenção. Ela nos permite apreciar a vida de uma maneira única, mas insistimos em fazer “vistas grossas”.

É a finitude da vida que nos faz celebrá-la todos os dias. Hoje sei que das lições que a morte me ensinou e não quero esquecê-las. E sei que cada ser é único, portanto quando me deparar com a morte novamente, sei que ela me despertará milhares de novos sentimentos que novamente me convidarão à viver esse sentimento tão estranho que é a frustração. Mas fiz com a morte um acordo, independente de quanto tempo leve para a gente se cruzar novamente, hoje tenho profundo respeito que por ela e ao menos ela não me pegará mais tão desavisada. Hoje ela já me é familiar e por isso me esforço para viver cada dia como se fosse o último, pois um dia certamente será.

“Não existe nada radicalmente errado em adoecer ou morrer. Quem te disse que iríamos sobreviver? Quem te deu a impressão que iríamos continuar eternamente vivos? E não podemos dizer que seria bom se seguíssemos vivendo pela simples demonstração de que se seguíssemos vivos nós nos “superpopularíamos”. Portanto, quando alguém morre é de fato honrável, pois ele está abrindo espaço para os outros. Se pudéssemos indefinidamente adiar nossa morte, nós não iríamos prolongá-la indefinidamente porque em algum momento nos daríamos conta de que não seria essa a maneira como gostaríamos de sobreviver. Para que mais teríamos filhos? As crianças nos dão a chance de sobreviver de maneira distinta, como se estivéssemos passando a tocha, para que não precisemos carregá-la eternamente. Há certo momento em que precisamos parar e dizer: “agora é a sua vez de trabalhar”. É o arranjo mais impressionante da natureza, nos permitir perpetuar nossas vidas através de outros seres e não somente através de nós mesmos. Porque a vida em si é renovada e através desse novo indivíduo e através da maneira como cada novo ser descobre a vida, nos recordamos de como é fascinante olhar as coisas simples da vida através do olhar de uma criança. Porque elas enxergam tudo de uma maneira que não está relacionada à sobrevivência e ganho. Quando atingimos um ponto em nossas vidas onde passamos a olhar para tudo como modo de sobrevivência ou ganho, então as formas e os arranhados do caminho deixam de conter magia em si. Então, quando isso se esgota e não conseguimos mais ver magia no mundo, nós não estamos mais preenchendo os propósitos do jogo da natureza e, portanto, ela segue seu curso. Dessa forma, morremos para abrir espaço para o novo; que traz em si uma maneira única e renovada de enxergar o mundo, para que a natureza seja sempre um jogo no qual manter a chama acesa sempre valerá a pena.” Alan Watts

Tao: o caminho sem meio

Sem título“Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente
na utilidade do que lá não está.”

Tao Te Ching (道德經), Cap. 11

Os ensinamentos budistas são implacáveis na questão do caminho do meio, mesmo quem não conheça nada ou quase nada de budismo já ouviu falar no caminho do meio. Eu, como uma boa libriana que nunca se equilibra, acho esse papo de caminho do meio um saco. Talvez seja puro recalque mesmo, porque em poucas situações na minha vida fui bem sucedida em achar o tal caminho do meio, não, eu transito pelas bordas, nos limites, ora cá, ora acolá.

Acontece que agora virei uma espécie de boa samaritana careta e como todo bom samaritano careta, fiquei chata. Tipo, muito chata. Chata e deslocada, mas até aí tudo bem, deslocada eu sempre me senti, a vida toda. Sempre me senti nadando contra a maré.

No terceirão, enquanto todos escolhiam suas carreiras entre cursos como Direito, Medicina, Jornalismo, eu quis fazer Filosofia. Quando o Ecoturismo não era moda, fui morar em Bonito. Quando o vegetarianismo não era tão divulgado virei vegetariana. Quando morava em Londres e o verão se aproximava, os destinos mais cotados eram a costa da Espanha, Grécia, Itália e, para o desespero da minha família, resolvi curtir o verão fazendo trabalho voluntário em um Kibbutz em Israel. Nem a visita da minha irmã grávida em Londres – em missão para me convencer de não ir – resolveu.

Minha irmã gosta de dizer que sou do contra, que às vezes gosto ou não gosto de algo só para contrariar todo mundo. Talvez ela esteja certa, é difícil saber todos os motivos psicológicos que nos fazem gostar ou não de algo, fato é que não escolho nada por modismos e fato é também que não gosto de me sentir igual à massa. Talvez foi por isso que não tenha comprado “O Jardim Secreto”, ou deve ser por isso que eu gostava muito mais do Atlético quando ele jogava na “Baixadinha” e não havia sido Campeão Brasileiro.

Mas, andar pelas beiradas cansa tanto quanto o papo de caminho do meio. Sim, porque esse papo de ser impulsiva e inconsequente, colocar a cabeça para fora da janela na highway com o vento na cara, correr de meia na neve, viver (e contar) histórias surreais, isso tudo cola muito melhor nos filmes e nos livros do que na vida real, na vida real cansa ser intenso, para quem é e para quem convive com pessoas que o são.

E se cansa ser intenso é pior ainda ser careta, tipo eu agora. Sério, nem eu me aguento mais de tanta caretice. Chata. Tipo tomando chá de camomila e comendo granola. E nessa de ser careta tudo (ou quase tudo) perdeu a graça. O mundo anda esquisito, isso sabemos, só que eu não vejo mais sentido em quase nada do que acontece. Pois é, como eu disse: chata.

E eu na versão careta não bebo e acho a noite um saco. Acho as pessoas que estão na noite pior ainda. Assim como as pessoas da natureza e das Ecovilas, as que meditam, fazem Yoga e dizem “gratidão”, putz essas são malas-plus.

Têm ainda as que falam de crossfit, corrida ou aquelas que acham que a culpa de TODOS os males do Brasil (e suspeito que até do mundo) é da presidenta e do PT, essas vão além da minha cota de tolerância. Enfim, ao final de tudo isso pude concluir que elas não são um saco, porque ao menos, mesmo que sejam, elas estão seguindo seus caminhos e se divertindo. No fundo mesmo quem virou um saco sou eu que não se diverte mais porque acha tudo um saco. 

E por não conseguir viver, nem entender o caminho do meio, apesar de achá-o necessário (porém utópico), ou talvez por andar sempre contra a maré, larguei os estudos budistas e comecei a estudar o Tao. Até porque acho não tem muito equilíbrio no caminho do meio do budismo (repare nos monges). 

O Taoísmo é bacana porque aborda a nossa natureza de viver e de precisar das polaridades. Segundo o Tao, a vida é regida por dois elementos (dualismo): yin (feminino) e yang (masculino). Estas duas forças se complementam e não podem existir uma sem a outra.

A minha leitura do Tao faz validar que é preciso ter experiências de vida nos limites, ou seja, é preciso ser inconsequente e depois ser careta (ou o contrário) até equilibrar as duas forças em si; mais ainda: é preciso viver as fases da vida que se apresentam, como se apresentam: mesmo que eu me sinta assim tão chata, é hora de ser chata. Sem caminho do meio. Talvez isso seja apenas eu tentando justificar minha chatice. Talvez esse caminho do meio seja algo intangível mesmo, talvez nós estejamos condenados à viver nas polaridades, às vezes àgua, outras fogo. Ou não. Qualquer que seja a resposta, hoje acredito que viver por inteiro nos dois pólos vem antes de encontrar o meio.

E enquanto não descubro respostas para minhas perguntas, continuo aqui com minha caretice, essa chatice incurável que só tem quem enxerga o mundo de maneira tão literal e vê no mundo tanta coisa sem nexo. Mas juro que tenho me esforçado para ser uma boa samaritana daquelas bem “cool”  (se é que elas existem) e deixar as pessoas serem o que são, retirando-lhes os rótulos (sim, os mesmos que usei há pouco).

Porque sei que pode parecer limitado e chato ser careta, mas tenho certeza que mais limitado ainda é viver rotulando tudo. Se o mundo é feito de dualidades, eu ainda vejo milhares delas. E mesmo que não ache todas legais é importante, ao menos, aprender a respeitá-las. Portanto, gratidão 🙂

Tatiana na janela

Em 2010 quando o dono do apartamento que eu alugava colocou-o a venda, resolvi voltar para casa do meu pai temporariamente. Mas, o que era para ser temporário se transformou em um período de cinco anos. Nesse tempo meus irmãos já moravam em outras cidades, meu pai se mudou para morar com minha madrasta. Todas as coisas que meus irmãos e meu pai não usavam, porém não queriam se desfazer estavam naquele apartamento. Era muita coisa sem utilidade ou uso e tinha muita coisa minha. Aos poucos comecei a limpar e arrumar a desordem da casa.

Dizem que para você saber se a vida de uma pessoa está “nos eixos” você deve olhar para seu guarda-roupa. E eu diria que o inverso também pode valer, ou seja, se você quiser colocar sua vida “nos eixos”, comece por arrumar seu guarda-roupa. Foi por lá que comecei. Aos poucos virei quase uma profissional de “fazer limpas”. O mais difícil disso é que não é simplesmente pegar tudo e jogar fora, é preciso cautela para olhar coisa por coisa e dar uma destinação correta para cada uma.

Passei muitos meses me desfazendo de tudo e organizando a casa. Gaveta por gaveta, prateleira por prateleira, todas as pastas, os livros, os papéis, aliás muitos papéis. Aproveitei também para limpar meu carro, as bolsas e os bolsos. Estendi para minha vida virtual: álbum de fotos, folders, caixas de e-mail, contas em desuso. Cada canto da minha vida recebeu uma boa limpeza. Nesse período foi bom olhar para o coração, nele também é possível de se acumular mágoas, dores e muita carga extra que também precisam encontrar uma destinação correta.

Somos uma geração de acumuladores. Acho que nunca na história da humanidade o homem acumulou tanto. Nós acumulamos tudo. E não paramos de acumular nunca. E quando prestei mais atenção nisso pude entender como estamos vivendo em um mundo com tanta desordem. 

O meu processo se intensificou quando finalmente mudei para meu apartamento. Mudança de casa é algo que dá trabalho, porém renovador. Quando fiz a mudança me certifiquei de deixar algumas gavetas vazias na casa nova, porque era um pouco assim que me sentia, porque eu quero deixar espaço para o novo entrar.

Me mudei com o coração vazio, pois foi logo que meu pai faleceu e minha mãe foi morar com minha irmã em Manaus. Por ser uma  longa viagem, ela levou quase nada. E eu, que havia acabado de organizar a minha bagunça, me vi novamente cercada de coisas. E não era pouca coisa ou coisas sem importância. Era toda a vida material da minha mãe. Tudo que ela acumulou estava em minhas mãos. Meu pai sempre me dizia para que eu doasse duas peças de roupa para cada uma que comprasse. Ele era um cara extremamente econômico e organizado. Ainda assim, a gente acumula coisas. E agora que ele se foi, minha mãe se foi, restou tudo que eles acumularam em minhas mãos.

O problema do que acumulamos não são as bugigangas em si, essas são até fácil de dar destinação, o complexo nos acúmulos são as lembranças que ficam impressas em cada objeto, isso faz com que algumas coisas tenham valor difícil de mensurar. É mesmo um processo dolorido esse de fazer limpas, é como se eu estivesse a desempoeirar o passado, a reviver cada memória, toda nossa história. E no caso das coisas deles, quanta história que ficou impressa e que eu sozinha não saberei contar.

É fácil doar os utensílios domésticos e as roupas de cama, mas é difícil encaixotar algumas coisas, como os antigos álbuns de fotos. Consegui dar destinação para muitas miudezas, mas ainda não sei o que fazer com os dentes de leite que meu pai guardou em um potinho de filme etiquetado com o nome de cada filho. Rasguei muitos papéis, mas me detive ao encontrar por entre as coisas dele a passagem da minha primeira viagem internacional em vôo solo.

E por ser algo assim tão minucioso, levei quase dois meses só para esvaziar o apartamento da minha mãe (e ainda não consegui organizar as coisas do meu pai). Hoje finalmente consegui tirar as últimas caixas de lá. Meu coração ficou pequeno e não contive as lágrimas diante daquele apartamento vazio, mas que guarda tanta memória.

No ano em que nasci, meu pai comprou em minha homenagem um quadro chamado “Tatiana na janela”. Sempre gostei muito dele. O nome do quadro é bem literal: uma menina de costas olhando pela janela. Cresci olhando para ele e imaginando o que a menina Tatiana estava contemplando daquela janela. Quando meus pais se separaram o quadro ficou para minha mãe. Hoje ele virou meu. E agora pendurei-o na parede do meu quarto que é para acordar todos os dias e contemplar o mundo através da janela de Tatiana; e lembrar sempre que, apesar da pintura me agradar muito, a vida é mesmo feita de momentos e memórias e que as melhores coisas da vida, de fato, não são coisas.

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REVOLUTION-CAPA

“Pessoalmente, desejo que o século XXI seja chamado de “século do amor”, porque necessitamos desesperadamente de amor, o tipo de amor que não produz sofrimento. Se não tivermos suficiente bondade e compaixão, não seremos capazes de sobreviver enquanto planeta. Há um Buda que supostamente nascerá para nós chamado Maitreya ou Bondade Amorosa, o Buda do Amor. Cada um de nós é uma célula no corpo do Buda do Amor.”

Thich Nhat Hanh no livro Eu Busco Refúgio na Sangha – um caminho espiritual

O século XXI segundo o monge budista Thich Nhat Hanh será marcado pela busca espiritual. Segundo ele, o século XX que foi marcado pelo individualismo, violência, confusão e medo, e nós temos uma grande missão para esse novo século: trazer consciência e atenção para nossas escolhas e atos, fazer com o coração. E é no coração que mora o remédio para salvar o mundo que está em um sentimento bem simples, mas que engloba uma complexidade enorme em si, o amor.

Se quisermos mesmo viver em um mundo melhor precisamos também com urgência, ressignificar o amor. O amor ou afeto, como dizem os psicólogos, é um dos sentimentos primordiais do ser humano, é instintivo, assim como todos os outros seres do planeta, nascemos programados para amar, isso está em nosso DNA. Mas o amor de hoje não é o mesmo que Jesus pregava, que o budismo se refere, o amor de Eros na mitologia Grega. Esse amor (juntamente com muitas outras palavras) é erroneamente confundido com outros sentimentos, e tornou-se tudo, menos amor.

O amor é um sentimento inerente ao ser humano, um bebê já nasce instintivamente amando e buscando a face da mãe, e sem nunca antes tê-la visto, ele já sabe reconhecê-la. Darwin quando escreveu a “Descendência do Homem” mencionou duas vezes a sobrevivência do melhor e 95 vezes a palavra amor. Mas Darwin, assim como muitos outros, foi mal interpretado, ou melhor, interpretado para ser utilizado como instrumento de domínio. A religião também fez esse papel, a essência da palavra pregada por Jesus ou Maomé é de amor puro e cooperação, não é de punição, nem pecado, nem sofrimento, nem guerra.

Os contos, livros e filmes fizeram seu papel construindo o mito do amor romântico e, ao mesmo tempo que isso é belo e “feliz para sempre” na ficção, na vida real é um tanto utópico. A maneira como as sociedades foram se organizando e criando uma gama de polarizações ao longo dos séculos acabaram por condicionar o amor. Hoje em dia fatores como crenças, religião, cor da pele, traços culturais, opção sexual, posicionamento político, aparência física e dinheiro são condições para amar e ser amado.

E assim, por buscarmos algo tão utópico e condicionado, amar hoje pode gerar muito sofrimento criando pessoas angustiadas, ansiosas, inseguras, deprimidas, que se sentem rejeitadas. O sentimento de posse que permeia os relacionamentos “românticos” é uma espécie de “cereja do bolo” na receita de um relacionamento fadado a ruir. O século mudou, o estilo de vida mudou, o mundo está em profunda “ebulição”, as sociedades estão se reorganizando com uma rapidez absurda, as distâncias encurtaram, está mais do que na hora de inventarmos também uma nova maneira de amar.

Para trazer mudança nesse padrão, inicialmente precisamos reaprender a amar nossas crianças. Ensiná-las a amar. Uma criança que cresce sentindo-se rejeitada, sem amor e acolhimento, torna-se um adulto inseguro e dessensibilizado. Uma criança que cresce sem referências de amor autêntico, tem dificuldades para amar e muito medo, aprende logo cedo que amar é sofrer e recria esse padrão constantemente em sua vida e acredita que amor exige de sua parte muito esforço. Mas o amor mesmo vem de graça, sem grandes esforços e sem sofrimento, ele apenas é.

Também precisamos amar a nós mesmos, é um clichê que poucos realmente seguem, sim amar a si próprio, aprender a perdoar-se, a ser menos crítico e mais gentil com nossas imperfeições e a aprender a amá-las também. Depois que nós nos amamos tudo fica mais leve, também o amor pelo outro fica mais leve. Quando entendemos que todos nós somos passíveis de sermos amados e merecedores de receber amor de graça pelo (muito) que somos, todos os relacionamentos se tornam mais leves. Antes de amar o outro, é preciso que também nos tornemos pessoas mais fáceis de serem amadas.

Nesse contexto atual, drenamos do amor o seu elemento primordial e que o torna tão especial: a liberdade. A liberdade de apenas ser, a liberdade de escolher, a liberdade de fluxo e movimento, a liberdade de viver livre de sofrimentos e apegos. Sim, o amor é a lei maior, o remédio para todos os nossos males e só ele pode salvar o mundo, mas antes que o amor possa revolucionar o mundo, precisamos ainda revolucionar o amor.

Para o jogo da vida: raça

Há muito tempo quando frequentava os jogos do Atlético Paranaense, ainda na Baixadinha, lembro que sempre no começo do jogo ou quando o jogo não ia bem, a torcida gritava para os jogadores “RAÇA”. Eu que sempre enxerguei a vida com poesia achava aquilo muito emocionante. Era o momento que mais gostava no jogo. E o grito alto e compassado da torcida até hoje ecoa dentro de mim: RAÇA.

Às vezes me pego olhando para pessoas em momentos de dificuldade ou quando estão indecisas ou quando querem desistir e tenho vontade de gritar como gritava nos jogos: RAÇA! Às vezes me olho no espelho e penso: RAÇA. O mundo anda meio mal e o que sinto é que a vida nos pede raça. Porque não tem quem passe ileso por ela sem dificuldades, problemas, problemas de gente grande, daqueles que fazem você duvidar da sua capacidade e achar que não vai dar conta. Muitas vezes eu acho que não darei conta. E o que aprendi é que para dar conta é preciso saber que não estamos sozinhos, e é preciso agir, por nós e pelos outros, precisamos “arregaçar as mangas” e fazer.

E aprendi também que para ter raça é preciso ter certezas. Certeza de que você arregaçou as mangas e fez o que podia, certeza das tuas escolhas, certeza que você estava presente no momento por inteiro e que deu o seu melhor. Mesmo que “seu melhor” às vezes pareça muito pouco.

A indecisão surge quando não estamos presentes por inteiro em nossas escolhas, quando elas são tomadas por outros ou pela vida, quando somos reativos.  Quem é indeciso vive sempre pela metade, dividido entre o que foi e o que poderia ter sido. Ter raça é fazer escolhas e estar disposto a assumir as consequências. Porque a felicidade não espera pelos indecisos, ela só chega para quem tem raça. E para ser feliz é preciso coragem. Ter raça nos exige completude. Para sermos inteiros precisamos olhar para a dor do outro com mais cuidado, porque nós não somos completos sem o outro.

Por isso que quando penso em ter raça, penso também em empatia. A empatia é saber que somos compreendidos, que não estamos sós. Empatia é alguém gritando para nós: raça. Empatia é mais que amor, é validar a dor do outro e estar ali presente por inteiro para ele e entender que nem sempre a vida tem a ver com os nossos dramas.

É fundamental validar a dor do outro para sentir empatia. O mundo hoje pede ação e a ação só vem quando entendemos que fazemos parte de algo maior e somos empáticos perante as injustiças e dores que nos saltam aos olhos. O mundo pede empatia e ao mesmo tempo raça. Raça gera ação. E precisamos agir, precisamos nos envolver. “Se envolver” é algo que tem pouco a ver com palavras e virtualidades e muito a ver com presença e ação.

Em momentos difíceis é que me lembro da torcida gritando: raça. Quando as dores do mundo forem tão grandiosas que nos fazem sentir impotentes: raça. Quando a dor do outro lhe sangrar o coração: raça. Quando você sentir que não dará conta: raça. Para os indecisos: raça. Quando passa o furacão: raça. Para que todo o mal e toda dor não nos paralisem: raça. Para o jogo da vida: RAÇA.

Porque a vida é mesmo um jogo e assim como o futebol é um jogo jogado em equipe; um jogo que nos pede muita raça e o bom de ter raça é que ela não é solitária, a raça vem da certeza; e vem principalmente da plena certeza de que juntos sempre iremos mais longe.

Adendo:

Aprendi muito sobre empatia e comecei a olhar com mais atenção para esse sentimento quando assisti à esse vídeo

Você é o que você viaja

Para a ciência há três tipos de memória: a ultra-rápida, que dura mais que alguns segundos, a de curto prazo, que nos proporciona o sentido do presente e a de longo prazo, que estabelece engramas – traços duradouros. Segundo os cientistas, se não houvesse esta forma de armazenamento mental de representações do passado, não teríamos uma solução para tirar proveito da experiência.

É por meio das memórias que vivenciamos, experimentamos e aprendemos. Elas formam a base do enorme quebra-cabeças que é nossa trajetória pessoal. Tudo que vivenciamos ao longo de nossa existência nos faz aprender, crescer, mudar, evoluir. Enfim, é nossa bagagem de vida que define quem somos.

Crescemos escutando frases do tipo: “diga-me com quem andas e te direi quem és” ou “você é o que come ou o que veste”. Eu completaria dizendo: você é aquilo que você lembra, suas memórias, os engramas estabelecidos. E iria mais longe: você é o que você viaja. Os lugares por onde passou, culturas que conheceu, comidas que experimentou, imãs de geladeira, cartões-postais, ruas e ruelas, museus, estradas, aeroportos, fotos, histórias – tudo que trouxe em sua bagagem.

Hoje, revirando caixas e fotos antigas na casa de meus avós, parei longamente nas fotos de viagens de meus avós e meu tio. Antigos passaportes e carimbos de todos os lugares em que estiveram. Não contive as lágrimas e me pus a refletir: nós somos mesmo o que viajamos!

Do meu tio e padrinho, sei muito pouco. Quando faleceu, eu tinha apenas cinco anos. Sei que ele era especial, querido por todos e que se foi muito jovem. Mas o que eu mais conheço dele vem dos lugares por onde andou. Entre tantas praias, gostava de ir para Ilha do Mel e Farol de Santa Marta. Fez uma desbravadora viagem pela Europa e Ásia. Passou meses na Índia e caminhou pelo Nepal. Tinha uma mania curiosa: mandava postais para ele mesmo para, acredito, ter o prazer de viver a viagem de novo quando retornasse.

Minha avó, recentemente falecida, era uma pessoa muito lúcida, lembrava bem os fatos de sua vida e contava com alegria detalhes de cada viagem que fez. Países da Europa que visitou, as diversas vezes que esteve na Argentina, a subida – de burrinho – da ladeira em Santorini. Apaixonada por viagens, ela tinha uma coleção de imãs de geladeira. Todos da família contribuíam com a coleção, trazendo imãs de suas viagens. Virou tradição na família. Família, aliás, formada por amantes desse ato tão enriquecedor que é viajar. Somos bons e velhos viajantes do mundo.

E até hoje, quando visito meu avô, uma de minhas diversões preferidas é resguardar uns minutos para olhar os imãs e imaginar todos aqueles mundos tão distantes e diferentes. A antiga geladeira branca abriga imãs do mundo todo; lugares exóticos, comuns e inusitados. Imãs de todas as cores, tamanhos, formatos e sabores trazem um pouco da história de cada lugar. São tantos que mal cabem na velha geladeira. Volta e meia minha avó os remanejava, colocava novos, guardava antigos, depois voltava a colocá-los numa dança contínua e infinita de mundos distantes. Era sua diversão trocá-los de lugar, descobrir a harmonia perfeita entre eles. A minha, até hoje, admirá-los.

Viagens fazem parte das poucas memórias que conseguimos carregar conosco para sempre. Vencem a barreira do tempo, da lucidez e da idade. Vencem também as barreiras da vida, pois são memórias que nos fazem ser lembrados pelos que ficam e pelos que ainda estão por vir. São os links mais fortes com nosso passado e o que nos mantém vivos mesmo quando partimos para nossa mais longa e misteriosa viagem. As viagens são os nossos mais valiosos trunfos de momentos bem vividos. As melhores fotos que tiramos de nossa vida, aquelas que guardamos eternamente e que constituem nosso mais valioso presente para o mundo: a nossa memória.

*Texto escrito em nov/2010