Ele não está tão a fim de você

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“Ensinam muitas coisas às garotas: se um cara lhe machuca, ele gosta de você. Nunca tente aparar a própria franja. E que um dia, você vai conhecer um cara incrível e ser feliz para sempre. Todo filme e toda história implora para esperarmos por isso: a reviravolta no terceiro ato, a declaração de amor inesperada, a exceção à regra. Mas às vezes focamos tanto em achar nosso final feliz que não aprendemos a ler os sinais, a diferenciar entre quem nos quer e quem não nos quer, entre os que vão ficar e os que vão te deixar. E talvez esse final feliz não inclua um cara incrível. Talvez seja você sozinha recolhendo os cacos e recomeçando, ficando livre para algo melhor no futuro. Talvez o final feliz seja só seguir em frente. Ou talvez o final feliz seja isso. Saber que mesmo com ligações sem retorno e corações partidos, com todos os erros estúpidos e sinais mal interpretados, com toda a vergonha e todo constrangimento, você nunca perdeu a esperança.”

Trecho do filme “Ele não está tão a fim de você”

“Ele não está tão a fim de você” é o nome de um filme que marcou não pelo filme em si, mas pela obviedade do título. Na época, a frase virou tema de muitas das minhas conversas de bar. Apesar de concordar que a máxima em muitos casos é verdadeira, também a acho um tanto simplista diante das possibilidades infinitas que se apresentam ao longo do caminho e da complexibilidade dos relacionamentos.

Com um olhar mais crítico, essa frase também me soa como um produto de uma sociedade que acredita em um tipo de amor idealizado, romântico, utópico. Um amor que é replicado incansavelmente na literatura, na arte, nos filmes. O amor do “felizes para sempre”, onde estamos sempre dispostos e prontos para amar; onde o relacionamento amoroso é a grande prioridade e alegria de nossas vidas, do qual temos a certeza do que queremos, não importando nossos traumas, medos, feridas do passado. Pois bem, eu não acredito nesse amor.

Os relacionamentos na “vida real” geralmente são muito mais conturbados, incertos, desconexos, descompassados, egoístas, imperfeitos.  Seria presunçoso e até ingênuo tentar mapeá-los ou formulá-los. Não existe manual ou fórmula para gostar de alguém, é preciso viver na pele, escolher, permanecer, construir, tentar, desistir, tentar de novo, dia após dia, com o melhor e o pior de nós. Fora isso, nem sempre temos clareza do que queremos ou sabemos reconhecer o que é melhor para nós; às vezes o medo de sofrer é maior do que a vontade de se apaixonar, enfim, as possibilidades são infinitas. Nesses casos o lema “ele não está tão a fim de você”, quando levado ao pé da letra, pode excluir muitos desencontros que poderiam, eventualmente, com um pouco mais de calma, tornar-se grandes encontros.

De certa forma entendo porque a tal frase ficou tão popular e serve tão bem em algumas situações. Se a pessoa não demonstra interesse, realmente não tem porque ficar. Fato. Com um pouco de bom senso e amor próprio, dá para aprender a ler os sinais, da para entender que um bom contato se dá sempre na fronteira, eu não posso fazer sozinha o caminho de dois. Muitas vezes manipulamos, contamos mentiras, fantasiamos, inventamos desculpas, evitamos enxergar os fatos como eles são, porque a verdade da rejeição pode ser inconveniente demais. Daí a frase é um convite para olhar para o que é real. Porque no final das contas, viver uma rejeição ainda é melhor do que viver uma mentira.

Por outro lado, quando estamos emocionalmente equilibrados, naturalmente o pouco não nos será funcional. E ainda, é preciso desenvolver um olhar mais gentil para nossos processos, acreditar que pouco ou muito, muitas vezes é a medida exata que estamos precisando. Assim, o que a gente precisa é adquirir confiança de que quando não estiver bom para nós, teremos a coragem necessária para partir. Com um olhar atento, percebemos que gostar não tem nada a ver com controle, nem é lógico, é uma escolha pessoal. E o que nos move a ela ainda permanece um grande mistério.

Mas, se tem uma coisa que aprendi, é que gostar é um sentimento que a gente aprende com o tempo, não acontece à primeira vista, o que acontece à primeira vista é uma projeção, uma ilusão. Gostar não é perder-se, é se encontrar. Portanto, gostar mesmo acontece de mansinho, não é fruto de esforço, nem de atos grandiosos ou mirabolantes. Nem sempre é uma escolha racional ou acontece na hora que a gente quer. De repente a gente se dá conta. De repente, aquela ausência nos faz falta e a presença nos faz bem.

Então, ele pode não estar tão a fim de mim. Ou sim. E tudo bem. Porque no fim do dia o que o outro sente ou faz é de responsabilidade dele, mas é importante conhecer meus limites e saber o que me é suficiente, porque o tanto que quero ou aceito, se fico ou parto, isso sim é responsabilidade minha.

Repara bem no que não digo

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“Repara bem no que não digo.”

Paulo Leminski

Há alguns meses uma amiga de longa data ficou chateada com algo que postei e me enviou uma coleção de áudios falando tudo que ela achava sobre mim e que não soavam nem um pouco como elogios, ela terminou com a famosa frase que a turma-dos-extremamente-sinceros usa para tentar amenizar o peso de suas palavras: “estou falando isso porque gosto de você, porque sou sua amiga”. Após o ocorrido não nos falamos mais, eu até pensei em procurá-la para conversarmos pessoalmente, mas achei melhor me calar.

Calei-me porque o que queria dizer para ela também não vinha do melhor de mim: que ela estava infeliz com suas escolhas e incomodada com as minhas, que ela não estava falando nada daquilo porque gosta de mim ou porque é minha amiga, mas para esgotar sua raiva e frustração, para se sentir melhor com ela mesma. Ela estava dizendo aquilo por qualquer outro motivo, menos porque se importava comigo. E isso me fez entender que naquele momento da nossa amizade não existia mais espaço para diálogos construtivos, então era melhor calar.

É certo que nos tempos atuais, com tanta facilidade de comunicação o que não sobra são opiniões rápidas e sinceras, que em sua maioria, são desprovidas de afeto ou cuidado. Mas, o pior tipo de informação é aquela que não foi pedida, que vem de graça e sem avisar. Não tem cuidado, não tem carinho. E palavras sinceras sem afeto, sem contexto, sem um convite para serem faladas, não são sinceridades, são retaliações. Quem fala o que pensa, sem se preocupar com a maneira, com o meio ou em como isso pode ser recebido pelo outro, não é sincero, é insensível.

Em situações assim calar não é uma escolha arrogante, mas sim respeitosa. É importante preservar o que foi bom na relação e o outro. Diálogos construtivos somente são feitos quando existe disponibilidade emocional de ambas as partes, e é difícil criar essa disponibilidade em momentos de raiva, tristeza ou tensão.

O escritor japonês Haruki Murakami escreve em seu romance 1Q84: “Se você não consegue entender uma coisa sem receber explicações, você continuará não entendendo, apesar das explicações”. Pois é, existem muitas pessoas que não entenderão nossas explicações e situações que não precisam ser conversadas. Levei tempo para entender isso e para aprender que em alguns momentos na vida é preciso falar, mas existem tantos outros que o mais importante é aprender a calar, saber distingui-los é essencial.

Muitas vezes fazemos o contrário: calamos quando deveríamos falar e falamos quando deveríamos calar. Temos coragem para discutir sobre política, religião ou outros assuntos diversos e polêmicos. Somos bravos quando falamos dos outros, mas nos falta coragem para falar de nós, sobre nossas dores, frustrações e medos.

O mundo não precisa do barulho da nossa ira e indignação, o mundo não precisa saber tudo o que pensamos, que nos empenhemos em desprender tanta energia em explicar o óbvio. O mundo não precisa de nossos textões e lições de moral. O que o mundo precisa é de falas mais presentes e assertivas, é de verdades construtivas. O que o mundo precisa é de mais gente que sabe quando é hora de calar. O mundo precisa de mais atitude e silêncio.

Notas sobre o desapego

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Tanto se fala sobre a importância de praticar o desapego, os movimentos minimalistas, as pessoas que largam tudo e correm o mundo e bradam orgulhosos feitos no barulho infinito da internet. Eu tenho para mim que desapego é desapego de coisas materiais sim, ou melhor, também. Mas, existe um lado importante sobre o ato de desapegar que me interessa mais. E é preciso saber reconhecê-lo.

Para mim, reduzir a casa a uma mochila e correr o mundo, não é desapego, é aventura. Partir e deixar tudo para trás, não é desapego, é desistência, é fuga. Desfazer-se de muitos bens materiais, não é desapego é praticidade. Desistir sem tentar, não é desapego, é covardia. Entregar nas mãos de Deus, não é desapego, talvez seja fé, ou comodismo.

Desapegar é uma constante busca da tênue linha do que é suficiente, que ora move-se para cá, ora move-se para lá. É seguir tentando, arriscando, criando, sem garantia alguma dos resultados. É aprender a perdoar em silêncio. É desconstruir-se e tornar-se mais inteiro. Desapegar é aprender a viver sem certezas. É deixar ir aquilo que já não nos serve, mas que nos fará falta.

Desapego para mim é viver a dura morte de alguém que ama e seguir acreditando que a vida, mesmo com muita dor, é bela. É viver o luto até secar as lágrimas, sem anestesiar a dor.  Desapego é viver uma rejeição e seguir acreditando no seu próprio valor sem desqualificar a escolha do outro.  É aprender a suportar um não sem desistir do que se acredita. É desistir do que se acredita. É saber que é preciso enfrentar e ficar até dar a hora de ir e depois saber ir quando essa hora chegar.

Desapegar é ter disponibilidade para escutar o outro, para entender os fatos, para admitir nossas próprias ignorâncias, para admitir erros e mudar de ideias, de valores, de crenças. É estar aberto para viver o novo e desconhecido. É a grande expressão de escolhas feitas com sabedoria, cuidado, amor e dor. Porque se desapegar não te faz sangrar, não é desapego, é descarte.

Quem deixa ir engrandece o mundo.

Pois cresce um pouco mais quem permanece na crise, disponível para si e para os outros, quem tem paciência de desatar os nós, um a um, sem cortar a corda. Quem enfrenta até o fim e consegue dar fim. Quem deixa ir os anos idos e os anos vindos, os amigos, os amores, as dores e as alegrias. Quem se liberta das memórias doloridas, de traumas e repetições, dos medos, dos sonhos não concretizados, dos amores mal resolvidos para viver uma vida escolhida.

Engrandece o mundo quem torna-o mais leve e aprende a deixar ir.

O convite

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Não me interessa o que você faz pra viver. Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.

Não me interessa quantos anos você tem. Quero saber se você se arriscaria parecer que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa que planetas estão em quadratura com a sua lua. Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.

Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la. Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira. Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro consigo mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma. Quero saber se você pode ser leal, e portanto, confiável.

Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não é bonito, todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida em sua presença. Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: “Sim!”.

Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem. Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito para as crianças.

Não me interessa quem você é, como chegou até aqui. Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.

Não me interessa onde ou o que ou com quem você estudou. Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa. Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que tem nos momentos vazios.

Por Oriah Mountain Dreamer

Metamorfose

414313__blue-butterfly_pMaria Eugênia já havia nascido contrariando sua mãe que sonhava em ter um menino. Maria veio ao mundo desassossegada e curiosa, com os olhos negros arregalados como duas jabuticabas. Talvez para alegrar sua mãe, ou para contrariá-la de vez, era uma menina-moleque. Subia em árvores, pedia o cavalo mais bravo para galopar e arrancava os laços e as fitas do cabelo. Em seu aniversário de nove anos, sua irmã pediu uma barbie, ela pediu uma ambulância, a ambulância do doutor saratudo, porque ela queria curar o mundo. Também diferente de sua mãe ou irmã, cresceu em meio aos livros, mas desaprendeu a escutar sua intuição. Passou a ser viciada em manuais de instruções e listas. Fez cursos e colecionou diplomas. Na sua estante a coleção de pensadores, para que lhe ajudassem a pensar. Era entendia de filosofia, antropologia e psicologia, discutia Freud, Jung e Lacan. Devorava artigos de Foucault.

Um dia enquanto lia no jardim uma borboleta azul pousou em seu ombro, olhando para aquela criatura tão bela, lembrou-se que ela já nascera equipada com tudo que precisava para vencer a longa fase da metamorfose, é certo que não existiam livros para as borboletas. Descobriu que havia inteligências distintas em todos os seres. Ela queria ser livre igual a uma borboleta. Lembrou que Freud descobriu o inconsciente, mas para ela só interessava o que era consciente. Livrou-se dos pensadores, de Freud e Jung. Não queria mais analisar nada, ela queria apenas voar. Rasgou os diplomas. Fechou os livros. E partiu para o mundo viver.

Candy crush saga

Maria Aparecida passou a vida lutando contra a timidez. Ela sempre pensava na ironia que era de ter Aparecida no nome se nem sua mãe a via. Ela não gostava de aparecer. De certo que de tanto acreditar que não aparecia sentia-se invisível. Já de pequena desenvolveu um estranho gosto por espelhos. Gostava de espelhos e só dormia tranquila após passar longos períodos olhando sua imagem refletida no espelho. Era como se ela mesma não pudesse acreditar que existia.

Por ser tímida não fazia amigos, seu melhor amigo era o espelho. Cresceu sozinha mirando sua imagem refletida, algumas noites tinha pesadelos, sonhava que estava desaparecendo e só dormia quando olhava-se no espelho. Não era feliz, não era triste, apenas não sentia. Ela achava o mundo um lugar estranho, não entendia as pessoas.

Certo dia, já quando moça, sua mãe preocupada com sua timidez e como que querendo justificar sua ausência, deu-lhe um aparelho que comunicava com o mundo. Ela dizia que o aparelho era mágico e que poderiam se comunicar através dele, ela nunca mais se sentiria sozinha e assim venceria a timidez.

Maria conectou-se com o mundo, descobriu jogos e redes. Fez muitos amigos e sentia-se sozinha. “Divine” dizia seu jogo preferido, como que lhe lembrando de que era importante. “Sweet” ela se animava. “Tasty” ela sorria. Finalmente alguém a via! Ela esquecera do espelho, jogava o dia todo e ia sendo esmagada, sem perceber que aos poucos foi ficando cada vez mais invisível. “Sugar crush!”

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Raio-x da Vitória

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Maria Vitória acordou assustada, dormiu uma noite sem sono, um sono sem noite e sonhara. Fazia muito tempo já que seus sonhos eram confusos, misturavam-se com a realidade, acordava sem saber se tinha vivido ou se havia sonhado. De tanto sonhar confuso com realidades melhores, passou a trocar tudo e acreditar que a realidade era um sonho e o sonho era realidade. E vivia sem saber se era tempo de sonho ou de vida real.

Maria Vitória procurou especialistas, nomes que lhe eram dados em anotações feitas em pequenos pedaços de papel. Mas os médicos só faziam era lhe pedir exames, ela achou que essa parte devia ser sonho, porque na realidade médico sabia conversar e olhar no olho. Ela fez alguns exames até que um dia dormiu dentro de uma das máquinas, e até hoje não sabe se sonhou ou se era de verdade, mas sentiu-se muito tola, “estou sonhando” repetiu alto para si mesma, porque em sua realidade não existia raio-x nem máquina que diagnosticasse sentimento.

Ela, em sonho ou realidade, fazia esforço para entender. Tinha alguns palpites que sempre começavam pelo entendimento de que trocava tudo porque lhe contaram um dia que o sonho era melhor que a realidade. Fora os dias em que o que ela sonhava acontecia e por isso também ela já não sabia se era sonho ou realidade no sonho que virava realidade na realidade. E tinha dias que ela preferia que fosse sonho mesmo, ou até pesadelos, porque isso deixava brechas e fendas para que a realidade fosse melhor.

Um médico de renome que falava da ciência e da tecnologia, disse que não havia cura para seu estado e prescreveu–lhe um bom remédio para dormir, mas os dias tornaram-se ainda mais confusos e isso a deixava muito sensibilizada, então ele prescreveu mais um remédio “não é bom sentir demais”, recomendou o doutor “isso é doença grave!” completou com ceticismo.  Mas quando ela queixou-se que já não sentia nada, nem mesmo a confusão, ele viu muita apatia nela, “não é bom ficar tão apática assim” e aumentou na receita mais uma caixa “para dar alegria”, falando como se fora um mágico fabricando sentimentos. “É sonho!” ela repetiu. Um dia ela decidiu que ia viver sonhando e lá nunca mais voltou.

Certo dia Maria Vitória sonhou que sonhava, depois sonhou que despertava e então, como o sonho antecedia a realidade, despertou. Achou aquilo incrível. Era plenitude. Entendeu que lhe contaram certas mentiras, pois a realidade era melhor que o sonho. Sentia-se vitoriosa, pois vencera sonhos e pesadelos, vencera a realidade sonhada e o sonho real e finalmente lhe fazia sentido que tivesse Vitória no nome. O problema, pensou ela, é que ao despertar deu-se conta da quantidade de pessoas que ainda sonha e dorme. “É realidade” finalmente entendeu ela.